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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Rapsódia de Gaita-de-Foles

Parte 1 - Explicação em Dó Menor

"Não compreendo nada disto!" - queixou-se Felipe ao Doutor Trusga. A verdade é que o raio do rapaz era de uma compreensão lenta que até assustava! Já não conseguia ouvir as lamúrias, cuspidas em zurrar asinino, do aluno que lhe tinha solicitado ajuda extracurricular. Era já a quarta sessão e nada!

Valha-me São Sinfrónio, será possível que exista alguém assim tão estupido?, pensou Fernando Trusga, professor do ensino secundário e filósofo do queijo nas horas vagas.

Subitamente foram os dois atropelados por um bando de tocadores de gaita-de-foles.

 Parte 2 - Semi-saga de um Martelo Pneumático para Instrumentos de Sopro

TAT-TAT-TAT-TAT, fez o martelo pneumático a perfurar o solo com imparável força, guiado pela mão relutante de um trabalhador estóico. Pedro era o nome desse trabalhador e ganhava muito pouco.

Subitamente foi atropelado por um bando de tocadores de gaita-de-foles.

Parte 3 - Montanha para Gaita e Estrondo

Esta narrativa segue de perto a fantástica estória de Fi-póim-tim-póim, monge budista de um qualquer templo longínquo que ninguém sabe exactamente onde se encontra. Observemos atentamente enquanto o "olho" narrativo sobrevoa as montanhas tibetanas e mata dezenas de pássaros que tiveram a infelicidade de se atravessarem no seu caminho.

Subitamente uma gaita-de-foles gigante arrasa o templo.

Parte 4 - Horror e uma Gaita

Não pretendo assustar os meus potenciais leitores com o seguinte conto, mas gostaria de vos alertar para o perigo que correm permanecendo no Jardim. Certamente que pensarão que estou a gozar, ou que esta narração pertence ao mundo das percepções dementes de um cérebro doente, pois deixem-me dizer que tudo o que escrevo nestas páginas é a mais pura verdade por mais estranho que vos pareça. Não deixem que o facto de eu estar internado numa instituição psiquiátrica vos detenha de lerem atentamente estes grafismos... O quê? Não!! Por favor tem piedade! NÃAAAAO!!! Gurk... *FUENNN* (onomatopeia representativa do som de uma gaita-de-foles)

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Bom dia Dona Pêga. O seu esposo como vai?

Empurrada pelo medo do que acabara de acontecer à sua frente, Clara tombou no vazio do penhasco que se abria nas suas costas. Abraçada pela noite, desapareceu no anonimato do nevoeiro compacto amontoado no fundo da ravina, cotão meteorológico aglutinado por uma vassoura gigante.

Sigesmundo havia de se recordar muitos anos deste episódio. De sentir o guincho estridente dela como um gume gelado que lhe dançava pela espinha - para cima, para baixo - por breves mas perenes segundos. Da pancada seca de aflição que o atordoou, raiando da base da nuca para todas as extremidades, enquanto Clara soçobrava, languinhenta, naquelas nuvens baixas...

À Procura das Japoneiras

Controlar a respiração era mais complicado do que se recordava.

A falta de exercício tinha-lhe deixado o corpo perro, os músculos e tendões carcomidos pela ferrugem da inércia, mas agora não havia volta a dar: tinha-se comprometido consigo próprio e não ia falhar. Fazia uma cruz no calendário em cada dia que planeava fazer jogging, para bem da sua saúde física e mental.

Enquanto ponderava estas questões, absorto, passaram por si vários postes e sinaléticas verticais que gritaram, em conjunto com os edíficios do quarteirão, a crescente infamiliaridade dos locais por onde se embrenhava.

Dobrou uma curva que enveredava por uma viela acima da qual emergiu apenas o passeio...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Um cemitério cheio de Ti

Sinto a tua falta. Desde que fizemos aquela estúpida promessa no dia do meu décimo quinto aniversário nunca te esqueci. Subo a rua, a gravilha esbranquiçada estala sob a sola de borracha das minhas sandálias, o couro castanho maculado pelo pó solto do caminho engaiola as meias que trago calçadas.

Dizias-me, quando as nossas modas mudavam para acomodar o clima mais quente do Verão, que era fatela – acho que era a palavra exacta que utilizavas – vestir meias e algum tipo de calçado aberto em público; recordo-me dos teus olhos verdes a rebolarem em sarcástica discordância com a minha justificada aversão a fungos e outras maleitas das extremidades corporais inferiores. Rir-te-ias de mim ao saberes que continuo a temer, irracionalmente, a gangrenação do meu pé esquerdo?

O município, há muito, decepou as árvores que enfeitavam os passeios de pedra branca em frente a tua casa – as mesmas que por esta altura inundavam a estrada com o cheiro, a cor e o ruído da estação – alegando serem um embaraço à deslocação dos transeuntes.

[...]

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Frase Perdida

No vazio do seu pensar, o vaga-lume de uma lembrança acendeu-se timidamente recordando-o do velho Rodovalho...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A Queda de Roma - Crónicas de um Jet7 Rasca

Miguel Fidavilho Bordalosa descansava num quarto especial da sua clínica privada, recuperando de ferimentos causados pela explosão de um dos implantes mamários da sua acompanhante na última Cocktail-Party que honrou com a sua presença. A pobre coitada, apesar dos avisos e do sinal de altamente inflamável e explosivo colocados nas suturas, chegou-se demasiado perto de um candelabro com acabamentos em filigrana, o que resultou na lamentável tragédia.

Raios partam os implantes baratos.

Até ao fim dos seus dias ir-se-á sempre recordar da visão dantesca de Marieta "TaTa" Serveira de Vasconcelos a descrever um interessante movimento de pêndulo com as pernas após ter voado 10 metros na vertical e ter, num improvável efeito de ventosa, ficado agarrada ao vidro da clarabóia pelos seus lábios colagenados.

O tratamento estava a ser complicado. Levar com detritos de derivados de borracha na cara não era pêra doce. Apesar da sua aparência externa ter sido recuperada em 93%, as suas narinas permaneciam irresolutamente vulcanizadas e tudo lhe cheirava a fábricas de recauchutagem.

Uma Dose de Dados #03

Rubrica de considerações e ponderações demasiado prolixas sobre RPGs de mesa A Minha Estante: Star Ace Já se depararam com a express...