terça-feira, 10 de maio de 2011

A mente é uma fábrica de vinhetas para os Malucos do Riso

Um HOMEM abre a porta de um restaurante e dirige-se ao EMPREGADO:

HOMEM - Já está.

EMPREGADO - Bom dia!... Já está o quê?

HOMEM - Bom dia. Já está.

EMPREGADO - ... Já... está?... Desculpe, vem para almoçar?

HOMEM - Não, não. É só para dizer que já está.

EMPREGADO - Mas já está o quê? O senhor está a gozar comigo?

HOMEM - Então os senhores não têm na porta um letreiro a dizer "Empurre SFF"? Só lhe vim dizer que já empurrei.

EMPREGADO olha com cara de parvo para a câmara enquanto se ouvem risos "enlatados".

Um cemitério cheio de Ti

Sinto a tua falta. Desde que fizemos aquela estúpida promessa no dia do meu décimo quinto aniversário nunca te esqueci. Subo a rua, a gravilha esbranquiçada estala sob a sola de borracha das minhas sandálias, o couro castanho maculado pelo pó solto do caminho engaiola as meias que trago calçadas.

Dizias-me, quando as nossas modas mudavam para acomodar o clima mais quente do Verão, que era fatela – acho que era a palavra exacta que utilizavas – vestir meias e algum tipo de calçado aberto em público; recordo-me dos teus olhos verdes a rebolarem em sarcástica discordância com a minha justificada aversão a fungos e outras maleitas das extremidades corporais inferiores. Rir-te-ias de mim ao saberes que continuo a temer, irracionalmente, a gangrenação do meu pé esquerdo?

O município, há muito, decepou as árvores que enfeitavam os passeios de pedra branca em frente a tua casa – as mesmas que por esta altura inundavam a estrada com o cheiro, a cor e o ruído da estação – alegando serem um embaraço à deslocação dos transeuntes.

[...]

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Frase Perdida

No vazio do seu pensar, o vaga-lume de uma lembrança acendeu-se timidamente recordando-o do velho Rodovalho...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A Queda de Roma - Crónicas de um Jet7 Rasca

Miguel Fidavilho Bordalosa descansava num quarto especial da sua clínica privada, recuperando de ferimentos causados pela explosão de um dos implantes mamários da sua acompanhante na última Cocktail-Party que honrou com a sua presença. A pobre coitada, apesar dos avisos e do sinal de altamente inflamável e explosivo colocados nas suturas, chegou-se demasiado perto de um candelabro com acabamentos em filigrana, o que resultou na lamentável tragédia.

Raios partam os implantes baratos.

Até ao fim dos seus dias ir-se-á sempre recordar da visão dantesca de Marieta "TaTa" Serveira de Vasconcelos a descrever um interessante movimento de pêndulo com as pernas após ter voado 10 metros na vertical e ter, num improvável efeito de ventosa, ficado agarrada ao vidro da clarabóia pelos seus lábios colagenados.

O tratamento estava a ser complicado. Levar com detritos de derivados de borracha na cara não era pêra doce. Apesar da sua aparência externa ter sido recuperada em 93%, as suas narinas permaneciam irresolutamente vulcanizadas e tudo lhe cheirava a fábricas de recauchutagem.

FEDEATH - Os Estafetas da Morte. - Parte 1 (?)

O bem cuidado Alfa-Romeo azul-escuro aportou na espaçosa garagem da soberba vivenda algarvia, propriedade do Excelentíssimo Senhor Engenheiro Onésimo Braga de Ramalho e Mendonça, personalidade de ascensão meteórica nos círculos políticos nacionais, num voo que, em breve, atingiria o tão almejado (e, segundo muitos, merecido) zénite da sua carreira: a posição de chefe do governo. Onésimo saiu sorridente da sua viatura – tinha decidido conduzir ele próprio, dispensando o chauffeur, colocado a seu serviço pelo Estado, até ao dia seguinte – e cumprimentou o seu jardineiro com um simples mas cordial bom-dia, acenando cortês e familiarmente com a cópia do Expresso que trazia em mãos. Era esse jornal a razão de tão boa disposição; a primeira página mostrava uma foto onde se esparramavam restos materiais da principal habitação (bem como os restos mortais dos ocupantes) de Carlos Alberto Rodado, seu principal opositor político e perene pedra no proverbial sapato com que calcorreava o trilho até São Bento. Quem diria que enviar uma dissimulada bomba através do secreto mas ilegal serviço de entregas que alguns amigos deputados, com ligações ao mercado negro, lhe haviam recomendado correria tão bem? A polícia às aranhas, o partido opositor num badanal de confusão agora que o seu candidato havia sido esfacelado por uma explosão de TNT, em suma, a vida era bela.

– Se calhar não é tão bela como gostaria. – replicou um indivíduo vestido de fato e gravata, olhos encobertos por um par justo de óculos de sol, sentado de perna traçada, que nem rei e senhor, no sofá da sala de estar.

O engenheiro manteve a calma.

– Quem é o senhor?

[Continua?]

Uma Dose de Dados #03

Rubrica de considerações e ponderações demasiado prolixas sobre RPGs de mesa A Minha Estante: Star Ace Já se depararam com a express...